Arquivo para samurai

Bushido – Galeria 1

Posted in Bushido, Galeria de fotografias with tags , , on 04/06/2010 by artesmarciaispaulonetto

O caminho do guerreiro

Galeria de fotos sobre a cultura e os elmentos que envolvem o caminho do guerreiro:

Pintura japonesa. Foto tirada na exposição no CCBB.

Pontas de flechas Samurais. Arte do arco e flecha  (Kyudo).

Jardim Japonês. Árvore Momiji e tradicional ponte em arco.

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O Bushido

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O Bushidô


Na época em que a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu foi fundada, as artes marciais no Japão eram todas chamadas por um único nome: bujutsu. Bu é a raiz que significa “marcial”, e jutsu significa “habilidade” ou “arte”. Embora o termo nem sempre seja usado de maneira correta no Japão atual, no sentido estrito ele se refere somente àquelas escolas que só ensinam habilidades de combate, como, por exemplo, a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

Katana do maior armeiro da história do Japão. Massamune. Katana de aço forjado e dobrado a mão. Seu Hamon, indica mais de 300.000 camadas de dobras.

Muitos séculos depois da fundação dessa escola, as influências do Budismo Zen afetaram as artes marciais japonesas; e, quando o Período de Edo (1603- 1867) – uma longa era de paz – seguiu-se à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nessas artes. Foi nessa época que a idéia de budô veio à existência. Budô significa “via marcial” ou “caminho marcial”. Dô é derivado da palavra chinesa tao e significa um caminho através da vida. A palavra budô era e ainda é usada para designar os sistemas marciais com ou sem o uso de armas nos quais alguns dos aspectos funcionais das artes de combate foram transformados, geralmente por razões estéticas.

Suporte de Katana e Wakisashi

Não obstante, conceitualmente, budô é mais do que isso. Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o guerreiro japonês comprometia-se antes de mais nada a seguir um caminho de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia prática desse treinamento de combate passou a ser secundária. Assim, a arte de combate pela espada, o ken-jutsu, tornouse o kendô, a via da espada; o naguinata-jutsu, a arte da alabarda, tornou-se o naguinata-dô, a via da alabarda; e assim por diante. Nas escolas de combate (-jutsu), mais antigas, a função predominava sobre a forma; mas nas escolas dô, mais refinadas, a forma e o estilo às vezes sobrepujam a eficiência marcial.

Menuki, detalhe do punho da Katana (Tsuka)

O caminho dos Deuses

Entretanto, o bushidô ou “caminho do guerreiro” trata antes de mais nada das atitudes e objetivos mentais do guerreiro feudal. Na opinião de Otake Sensei, o bushidô ou código de ética do samurai foi grosseiramente distorcido e assumiu um sentido totalmente diferente do original. Essa distorção ocorreu principalmente na época moderna e foi usada para justificar sentimentos e atividades nacionalistas e militaristas. O Sensei explica:
“Especialmente em nossa época, quando as pessoas falam sobre a palavra bushidô, lembram-se do recente suicídio de Mishima Yukio (um romancista cujos livros foram publicados no Ocidente) e pensam naquele tipo de bushidô exposto no livro Hagakure, escrito pelo sacerdote Yamamoto Joche. Além de ser sacerdote, ele escreveu seu livro durante o Período Genroku (1688-1704), que foi uma época de paz no Japão. Infelizmente, ele cometeu alguns erros em diversas passagens do livro, ao passo que outros trechos estão escritos de tal modo que podem facilmente ser mal-interpretados.
Este detalhe da pintura de um biombo japonês mostra um general trajado de armadura tradicional atacando o ex’ército inimigo sobre o seu cavalo na batalha do Rio Uji, ocorrida em 1184.

O Xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. Os caracteres shintô significam literalmente “o caminho dos deuses”.
“Ele afirma, para resumir, que seguir o bushidô é buscar a morte, mas o sentido de bushidô não se resume a morrer. Por causa dessa interpretação errônea, as pessoas de outros países acham que o bushidô é a mesma coisa que o harakiri ou seppuku, ou seja, o suicídio ritual.
“Na verdade, o sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar: ‘F a-
. lhei, tenho de me matar.’ O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse.
“Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuàr a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô.
“É claro que esse conceito existe no Budismo: é o conceito budista de compaixão. Também no Budismo encontramos a premissa de que é bom ajudar os outros, fazer o bem ao mundo, mesmo que isso lhe cause problemas ou possa custar até mesmo a sua vida. Os dois conceitos são idênticos. A mesma coisa está presente no Cristianismo quando os cristãos falam da caridade.


Aqui no Japão, temos o Xintoísmo (Shintô). Trata-se de uma religião cujo nome, quando escrito com os caracteres chineses, significa ‘o caminho de Deus’ ou ‘o caminho dos deuses’. O caractere chinês que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é escrito em duas partes. A parte à direita é o caractere chinês que significa pescoço ou cabeça; a parte à esquerda significa ‘correr’. O sentido global do caractere que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é o de ‘tomar a cabeça nas mãos e correr para algum lugar’.
Acima desse caractere escrevemos o caractere que significa ‘deus’, e assim obtemos o escrito ‘via dos deuses’ ou ‘Shintô’. Se, acima do mesmo caractere, escrevermos os dois caracteres que significam bushi ou ‘guerreiro’, a palavra se torna bushidô. A nuance de significado da palavra, portanto, é a de que essa é uma via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual a sua cabeça, ou o seu pescoço, está em risco.

As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a palavra -dôo O sentido global, portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres humanos.
Há uma história que, a meu ver, exemplifica muito bem esse ponto. Penso que ela deve ter pelo menos um fundo de verdade. Por volta do ano 1576, os soldados do Senhor Okudaira, um dos parentes próximos do Shogun Tokugawa, estavam sitiados em seu castelo. Dentre os homens havia um guerreiro de posição muito humilde chamado Torisunaemon. Todos os homens estavam no Castelo de Nagashino, sitiados pelos guerreiros da família Takada. O comandante da guarnição do castelo queria enviar um mensageiro ao Shogun Tokugawa para informá-lo da situação e pedir ajuda.
Quando o comandante perguntou quem se dispunha a ir, muitos homens qualificados apresentaram-se, mas um deles em específico, Torisunaemon, era famoso por ser bom nadador, e por isso foi escolhido para fugir do castelo e tentar chegar ao Shogun Tokugawa Ieyasu para pedir ajuda. Os alimentos estavam tão escassos dentro do castelo que os sitiados estavam tendo de comer casca de pinheiros para sobreviver. O comandante pedia que o socorro chegasse em três dias. Depois disso, eles se matariam para não morrer de fome.

Miniatura de Samurai em floresta em Yose Ue (Floresta de Bonsai).

Torisunaemon conseguiu escapar do sítio e chegar a Tokugawa, que concordou em mandar uma força de alívio em três dias. No caminho de volta, porém, o mensageiro foi capturado pelos soldados de Takada. O comandante dos homens de Takada pensou que, como Torisunaemon não era nobre, mas de classe baixa, poderia ser manipulado. Disse a Torisunaemon: ‘Se você for amanhã de manhã à frente do castelo e disser ao exército que o socorro não virá e que, portanto, eles devem se render agora, farei de você um oficial no meu exército.’
Torisunaemon começou a pensar com seus botões: ‘Se eu for promovido a essa patente, minha mãe ficará muito contente. Seria muito bom que ela visse que eu dei certo na vida.’ Assim, concordou com a proposta do general inimigo.
No dia seguinte, foi amarrado como se fosse um prisioneiro e levado à frente do castelo. Chamou as pessoas lá de dentro: Tenho algo a dizer; vocês todos, escutem com atenção.’ Quando o povo do castelo viu quem era, agrupou-se nas muralhas para ouvir o que ele tinha a dizer. Lá estava ele, amarrado, com todas as pessoas que conhecia olhando-o de dentro do castelo, do outro lado do fosso.
Então pensou consigo mesmo: ‘Por mais que minha mãe ficasse feliz se me visse oficial de um exército, um homem bem-sucedido na vida, ela ficaria muito mais feliz se eu fosse leal e ajudasse as pessoas do castelo a sobreviver a esta batalha, mesmo que eu venha a morrer por isso.’ Por isso, a essa altura, decidiu o que ia dizer e gritou bem alto: ‘Ouçam todos com atenção!’ Então disse: ‘Não desistam; o socorro está chegando, agüentem firme por mais três dias!’ Nesse instante, os soldados de Takada crivaram-no de lanças e o mataram.


“É esse o verdadeiro sentido do auto-sacrifício, a verdadeira flor do bushidô.”

As escolas clássicas de armas do Japão.

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Caligrafia de Otake Sensei "Alma de espada"

A arte da espada de Choisai Sensei

Em 1447, Henrique VI ocupava o trono da Inglaterra. O exército inglês havia sido expulso da França pela segunda e última vez e a Guerra das Duas Rosas estava prestes a começar.

A palavra “marcial” estava entrando no uso comum; fora introduzida na língua inglesa por Geoffrey Chaucer, pouco mais de cinqüenta anos antes. Era provavelmente usada por jovens de boa família, conhecedores das artes marciais de sua época. Eles aprendiam a usar a espada e o machado de guerra, e eram instruídos nas regras dos torµeios, nos quais se usavam a lança, a maça e o escudo. Depois de um ritual de iniciação que começava com uma vigília de uma noite inteira perante o altar, o cavaleiro seguia o código de cavalaria pelo resto de sua vida.

Em 1447, o Japão não era uma nação unificada. A população se dividia em grupos rivais comandados pelos senhores feudais locais, ou daimios. Numa época de guerra contínua, os jovens aprendiam o bujutsu, as virtudes marciais, e sua educação incluía as artes de luta do kyu-jutsu, ou arte do arco; do ken-jutsu, ou arte da espada; do naguinata-jutsu, ou arte da alabarda; do so-jutsu, ou arte da lança; e a arte do uso de um sem-número de outras armas.

A diferença essencial entre as duas culturas resume-se no fato de que, no Japão, essas mesmas artes ainda são ensinadas. A mais antiga das escolas de combate do Japão que sobrevivem até hoje foi fundada em 1447. Os ensinamentos estabelecidos pelo fundador continuam sendo transmitidos sem alteração alguma.

Tenshin  Shoden Katori Ryu

A mais importante de todas as academias de artes marciais do Japão fica a alguns quilômetros de Narita, o novo aeroporto internacional de Tóquio, numa região que já foi uma área rural pacífica. É como se no condado semi-rural de Sussex, perto da pista principal do Aeroporto de Gatwick, em Londres, houvesse uma escola que ensinasse desde a Idade Média as artes da justa e do torneio.

Na Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu, o praticante pode aprender a usar uma espada de samurai para lutar contra um homem trajado de armadura medieval e armado de bastão, alabarda, lança ou espada longa ou curta. O fato de os ensinamentos da escola não terem sido alterados em função das mudanças de vida ocorridas no século XX revela uma coerência e uma firmeza raras até mesmo no Japão.

Katana a alma do samurai.

Os alunos da Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu estudam uma arte marcial pura. O objetivo da escola é o de aperfeiçoá-la, de desenvolver as técnicas por cujo aperfeiçoamento muitos homens morreram no passado. As lições aprendidas em combate constituem uma parte importante dos ensinamentos. É por isso que os alunos mais avançados têm uma firmeza tão grande. Essa firmeza não poderia ser atribuída a outros motivos, uma vez que não há vantagem alguma, do ponto de vista prático, em estudar lá em vez de estudar numa escola que ensine uma arte de autodefesa, como o aikidô ou o karatê. Lá, os discípulos aprendem o sistema clássico de combate com armas, no qual cada movimento foi concebido para matar ou ferir de morte o adversário.

Os objetivos da escola permanecem os mesmos desde a sua fundação, há quase 550 anos: formar espadachins versados em todos os aspectos da arte da guerra, desde o uso das armas até os conhecimentos táticos, logísticos e até médicos.

Os alunos da escola sabem que estão partilhando de um conhecimento histórico raríssimo, até mesmo único, que deve ser conservado e transmitido às gerações futuras. Em reconhecimento desse fato, o governo do Japão deu à escola um título de honra sob a forma de um nome: “Um Valor Cultural Inestimável” .

As Origens Feudais

O fundador da Katori Shinto Ryu, lizasa Choisai lenao Sensei ou Choisai Sensei (a expressão Sensei significa “mestre”), nasceu no ano de 1387 na localidade que hoje se chama Takomachi, na prefeitura de Chiba (a cerca de 64 quilômetros de Tóquio).

Samurais

Aparentemente, ele participou de algumas batalhas campais e essa experiência levou-o a perceber que o tipo de guerra que estava ocorrendo não poderia conduzir senão à destruição das famílias e das linhagens.

A Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu foi fundada em 1447 por lizasa Choisai lenao Sensei. O atual chefe da Ryu, Mestre Otake, sempre se lembra da expressão calma e pacífica da face do Fundador nessa imagem, comparando-a com a atitude feroz em que são representados a maioria dos mestres espadachins.

Por isso, quando a família Chiba caiu em desgraça e foi por fim derrotada, Choisai Sensei separou-se de sua própria família e foi viver no recinto mais interno do Santuário Katori. Tinha 60 anos quando se retirou para viver como recluso no Santuário.

No Japão, há dois santuários especialmente famosos dedicados às artes marciais. O Santuário Katori encontra-se numa colina baixa cujo topo é recoberto de árvores grandes e antiqüíssimas. As mais antigas são amarradas com cordas, à maneira da religião xintoísta. Os templos e outros edifícios do santuário foram construídos em meio às árvores. O Santuário Kashima fica lá perto; ambos ainda são focos de peregrinação importantes e populares.

Naquela época, aconteceu que um dos discípulos do Fundador foi lavar um cavalo numa nascente chamada Fonte Divina ou Fonte do Deus, perto do Santuário Katori. Pouco tempo depois, o cavalo começou a sofrer de dores e morreu.

Para Choisai, esse acontecimento foi uma revelação do poder divino da divindade xintoísta adorada no Santuário Katori, divindade essa que se chama Futsunushi-no-Kami. A morte do cavalo deu-lhe uma espécie de intuição espiritual do poder da divindade. Por isso, ele decidiu passar mil dias em adoração no Santuário Katori. Nesse período, dedicou-se a austeras práticas de purificação e estabeleceu para si um cronograma rigoroso de treinamento marcial.

Ao final desse período de penitência e treinamento, ele estabeleceu os ensinamentos que constituem a Katori Shinto Ryu.

A guarda da Katana "Tsuba".

Choisai Sensei acreditava que havia descoberto os ensinamentos diretos e verdadeiros do deus Futsunushi-no-Kami, adorado no Santuário Katori, e por isso antepôs ao nome Katori Shinto Ryu a expressão tenshín shoden, que significa “tradição celeste”. Isso nos dá o nome completo da tradição, ‘Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu’, que significa ‘a tradição marcial que é o caminho dos deuses’. Como a palavra ‘Shinto’, que significa ‘o caminho dos deuses’, significa o caminho verdadeiro e correto que os homens devem seguir, à semelhança de todas as tradições xintoístas que nos foram transmitidas desde os tempos antigos, está implícita nela a idéia de um caminho que as pessoas devem trilhar com um coração sincero. Ao que parece, foi assim que Choisai Sensei entendeu esse conceito e usou-o em sua tradição marcial.”

A linha de sucessão da escola jamais foi rompida. O atual Mestre da Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu é o vigésimo da sucessão, embora não seja um mestre praticante. Por isso, é Otake Sensei, o Mestre de Treinamento, que transmite a tradição para os discípulos. Ele não ensina somente as técnicas de luta, mas também os conhecimentos eruditos de uma escola do Budismo esotérico.

A Filosofia do Fundador

O fundador, Choisai Sensei, viveu até os 102 anos de idade e deixou uma grande quantidade de ensinamentos, tanto filosóficos quanto práticos. São esses os ensinamentos transmitidos por Mestre Otake.

No centro de todos esses ensinamentos há um trocadilho. O trocadilho se expressa na língua japonesa, mas depende, para ser compreendido, dos caracteres chineses que exprimem as mesmas palavras. Em japonês, a palavra heího significa todo o currículo marcial de uma escola tradicional de uso de armas, mas as suas origens lingüísticas são muito mais complexas:

Dos ensinamentos de Choisai Sensei, aprendemos que a palavra heího, escrita com os caracteres japoneses, significa ‘o método do soldado’. Escrita com caracteres chineses, entretanto, heího adquire o sentido de ‘pacífico’ ou ‘calmo’.

Portanto, o método marcial é uma verdadeira via de combate; mas quem é capaz de assimilar o currículo inteiro (da Katori Shinto Ryu) descobre que ele se torna uma via de paz.

Chegamos a descobrir que a vitória pela morte do adversário não é uma vantagem verdadeira. É esse o sentido da paz.

Assim, no bujutsu, ou seja, nas artes marciais, nós praticamos técnicas que foram criadas para matar outro ser humano. No treinamento, praticamos artes em que, quando um parceiro se move, o outro é morto. Não obstante, os ensinamentos de Choisai Sensei deixam claro que, muito embora o treinamento seja feito desse modo, não é correto matar as pessoas com a espada. Fazem-nos ver que ser homem não é só ser forte e poderoso. O simples fato de termos a força necessária para destruir não nos levará em nenhuma direção produtiva.

Se assim fosse, os animais que dependem unicamente do seu poder e da sua força para sobreviver, como o leão e o tigre, simplesmente continuariam a crescer e multiplicar-se até dominar completamente a Terra. A verdade é que isso não acontece. Valer-se unicamente da força bruta é o caminho dos animais.

Na qualidade de seres humanos, temos de seguir um caminho diferente, um caminho em que não é correto manifestar abertamente a própria força. No bujutsu, nas artes marciais, é essencial que sejamos muito fortes. Não obstante, é igualmente necessário que não revelemos a nossa força. Precisamos compreender uma forma mais elevada de sabedoria humana e manter oculta a nossa força bruta. É por isso que Choisai Sensei falava de heiho, o método da paz.

O Desenvolvimento da Katori Shinto Ryu

Os guerreiros e estrategistas de todo o Japão costumavam ir aos Santuários Katori e Kashima para prestar homenagem às duas divindades marciais. Era bastante natural, por isso, que, como já haviam viajado tanto para chegar ao santuário, fizessem uma parada no local onde Choisai Sensei ensinava para ver se conseguiam aprender alguma coisa.

Naquela época, sempre que alguém lançava um desafio ao chefe de um dojô ou sala de treinamento, ocorria um shiai, ou seja, um duelo ou uma luta, geralmente com a espada de madeira (boken). Essa luta era coisa muito séria. Um golpe da espada de madeira pode causar ferimentos graves e, se pega na cabeça, pode até matar.

O santuário Katori, um dos mais importantes santuearios xintoístas do Japão. Ele é dedicado a Futsunushi-no-kami, a divindade da espada.

Depois de estabelecer o seu local de treinamento no Santuário Katori, Choisai Sensei tornou-se tão conhecido que, se permitisse os torneios de shiai, haveria uma pessoa morta quase todos os dias. Por isso, ele proibiu de modo expresso e rigoroso todos os combates.

Até hoje em dia, a Katori Shinto Ryu proíbe que qualquer um dos seus praticantes se envolva em combate com outra pessoa antes de ter chegado ao grau de menkyo ou Mestre Licenciado. É certo que um dos dois duelistas seria gravemente ferido ou mesmo morto. É por isso que se diz que shiai, o torneio, é sinônimo de shiniai, que significa ‘encontrar-se para buscar a morte’. É outra maneira de dizer que qualquer espécie de combate é uma coisa muito séria, uma questão de vida ou morte.

Em decorrência disso, desde aquela época, as competições de luta são proibidas na Katori Shinto Ryu. Choisai Sensei ensinava que a forma ideal de vitória era aquela que podia ser obtida sem o combate nem o uso de armas.

Mestre Otake

“Abaixo do nível de vitória obtido numa competição amistosa está a vitória obtida quando se fere o oponente. A terceira forma de vitória, e a mais baixa de todas, é a que se obtém matando-se o oponente. Choisai Sensei ensinava que a forma ideal de vitória era a que podia ser obtida sem luta e sem violência.”

A História do bambu anão.

Entre os ensinamentos há um que se chama kumazasa no oshie, ou seja, “os ensinamentos do bambu-anão”. É esse o nome que a Katori Shinto Ryu deu a uma série de histórias que relatam o modo pelo qual Choisai Sensei era desafiado pelos guerreiros que visitavam o seu dojô.

Segundo esses ensinamentos e as histórias que sempre o acompanham, quando um desafiante chegava ao dojô e dizia a Choisai Sensei: ‘Por favor, deixe-me tentar derrotá-lo’, Choisai Sensei respondia: ‘Ótimo, mas primeiro vamos nos sentar juntos.’

Então, ele pedia a algum membro do dojô que estendesse uma esteira de palha sobre um canteiro de bambus-anôes, de modo que a esteira se apoiasse sobre os frágeis bambus cerca de trinta centímetros acima do chão.

Então, Choisai Sensei subia nessa esteira e sentava-se sobre ela. Nem a esteira caía nem os bambus vergavam-se sob o seu peso. Ele convidava então o desafiante a subir e sentar-se ao lado dele.

Segundo se conta, quando os desafiantes viam isso, percebiam que estavam na presença de uma pessoa extraordinária e admitiam imediatamente a própria derrota. Sabiam que lhes seria impossível fazer a mesma coisa. Embora tivessem vindo para lutar, Choisai Sensei era capaz de convencê-los de que não era essa a maneira correta de se proceder. Ele descia então de sua esteira e oferecia-lhes a hospitalidade do seu dojô.

O sentido de kumazasa no oshie, ou ‘os ensinamentos do bambu-anão’, é que, em vez de ensinar somente métodos de matar, Choisai Sensei conseguia ensinar aos seus desafiantes a maneira correta segundo a qual os seres humanos devem se comportar. Diz-se que todos os guerreiros que vieram ao Katori Shinto Ryu voltaram a seu local de origem num estado mais maduro ou tranqüilo.

Mestre Otake

O jovem Otake nasceu numa fazenda perto do local de nascimento do Fundador. Cresceu em meio à atmosfera militarista que tomou conta do Japão antes da Segunda Guerra Mundial.

Otake vivia profundamente preocupado com a propaganda que exortava os jovens a estar preparados a dar a vida pelo imperador. Tinha medo de não conseguir. Para aprender a morrer, foi estudar ‘lia Katori Shinto Ryu. Depois de um serviço militar breve e monótono, voltou ao fim da guerra para aprofundar seus estudos na Ryu.

Naquela época, o Mestre dava aulas em sua fazenda. A Katori Shinto Ryu tornara-se uma tradição rural exteriormente insignificante, que poderia chegar a desaparecer. O Mestre ficou doente e o jovem Otake, já designado como seu sucessor, assumiu parte dos seus deveres.

Um desses deveres era a cura de doentes pelos métodos budistas. Certa vez, Mestre Otake teve de exorcizar um jovem possuído pelo espírito de uma raposa. Sustentou duas noites de intenso combate e finalmente conseguiu expulsá-lo do jovem, fazendo um movimento intimidador com sua espada. Em toda a sua vida, só fez um exorcismo; não quis ter de novo a mesma experiência.

Até há bem pouco tempo, Mestre Otake era fazendeiro e criador de cavalos de corrida, mas aposentou-se para ter mais tempo para dedicar-se à Katori Shinto Ryu, que havia sobrevivido em sua forma pura: uma tradição de luta praticada principalmente pelos samurais fazendeiros ou funcionários militares dos daimios. Porém, nos últimos cinqüenta anos, a zona rural japonesa, como a da Europa, sofreu muitas mudanças. Otake Sensei chegou à conclusão de que os efeitos dessas mudanças sobre a sua escola exigiriam que ele dedicasse a ela toda a sua atenção. Por exemplo, com a criação de um serviço de trens rápidos e de uma rede de rodovias que ligam a capital à zona rural, a maioria de seus alunos passou a vir de Tóquio, e não mais da pequena comunidade de senhores de terras.

Yari e Naginata, armas samurais.

Entretanto, mesmo hoje em dia, há somente uns cinqüenta e poucos membros que praticam regularmente. A Katori Shinto Ryu nunca atraiu um grande número de alunos; não foi feita para o treinamento de grandes massas.

As Técnicas e o Treinamento

A Katori Shinto Ryu sempre aceitou alunos de todas as classes sociais. A única qualificação exigida é a disposição de continuar treinando e estudando. É preciso ter muita coragem para executar os elaborados movimentos de prática em velocidade rápida. As espadas de madeira (bokken) e as outras armas de treino passam céleres e a uma distância perigosamente pequena do rosto e do corpo dos praticantes. A mais pequena falha de concentração que prejudique a precisão e o ritmo dos movimentos pode ter por conseqüência, no mínimo, uma pancada dolorida.

A espada do mestre está com a lâmina virada para cima. Ao mesmo tempo que a ponta da espada perfura o crânio do adversário, o fio corta a vulnerável parte de baixo do seu pulso.

O conhecimento da arte tem três estágios. A passagem dos membros de um estágio para outro é marcada pela entrega de um diploma copiado à mão pelo Mestre da Ryu a partir dos escritos originais do falecido Fundador. O aluno diligente recebe o seu primeiro diploma ao cabo de cerca de cinco anos de treino. Depois disso, ele pode freqüentar as aulas avançadas e estudar o uso das armas mais complexas; pode também começar a estudar a primeira fase do conhecimento esotérico de estratégia, religião e medicina transmitido pelo Fundador.

O segundo diploma é concedido depois de mais ou menos dez anos, e o terceiro, entregue somente aos instrutores sêniores, geralmente não é concedido a quem passou menos de quinze anos na Ryu. O conhecido estudioso norte-americano Donn Draeger, autor de diversos livros que dão a palavra final sobre as artes e caminhos marciais japoneses, é o único estrangeiro a ter alcançado esse grau na Ryu.

Ataques simultâneos.

Otake Sensei dá aulas três vezes por semana, mas, como muitos alunos têm de transpor os 64 quilômetros que separam o santuário da cidade de Tóquio, poucos deles treinam mais de duas vezes por semana. A aptidão marcial de todos eles, porém, deixa claro que quase todos praticam em casa. Nas outras artes de luta, o normal é que pouquíssimos alunos cheguem ao fim do treinamento. No karatê, por exemplo, diz-se que, de mil praticantes que começam a treinar, só um se torna bom o suficiente para ser instrutor. Não é isso, porém, o que acontece na Katori Shinto Ryu. Isso talvez se deva, entre outras coisas, ao fato de que, na Ryu, os discípulos são obrigados a fazer um pacto de sangue antes de poder dedicar-se ao estudo de maneira séria e regular. A verdade é que todos os membros da Ryu levam seu treinamento muito a sério.

Otake sensei demonstra sua zanshin ou concentraçnao total no momento de impacto enquanto pratica com seu filho mais novo, que maneja uma naguinata ou alabarda.

A Ryu não é grande, e o dojô de Otake Sensei (a sala de treinamento, literalmente “o lugar do Caminho”) só permite que dois pares de alunos pratiquem ao mesmo tempo. Até quatro podem praticar simultaneamente as formas-solo da arte de desembainhar a espada (chamada iai-jutsu), usando espadas de verdade, afiadas para o combate.

Todo o treinamento regular é feito com armas; só se praticam formas, chamadas Katá em japonês. Ao contrário do que acontece em quase todas as outras artes e caminhos marciais, não há exercícios formais de aquecimento e alongamento nem a prática de técnicas simples. Só se vêem as seqüências longas e contínuas de cortes, talhos, estocadas, golpes de ponta e bloqueios combinados em padrões de movimentos minuciosamente predeterminados para cada katá.

Golpe cortando para baixo em alta velocidade.

Os katás também se ordenam numa seqüência rígida que começa com o movimento relativamente simples de desembainhar a espada. A este seguem-se os omote-ken-jutsu, os katás da arte da espada para os principiantes, os quais, como todos os que se seguem, são feitos a dois. Todos os espadachins têm de aprender os dois papéis dos katás de combate. As aulas de Otake Sensei partem do primeiro katá para os posteriores, mais diversificados e complicados.

A reverência antes de empunhar a katana.

Aos katás da arte da espada para os principiantes seguem-se as formas de bo, ou bastão, contra a espada. Vêm por fim as naguinata, ou alabardas, que podem ter até dois metros e meio na Katori Shinto Ryu e são as armas mais difíceis de ser dominadas pelos principiantes. Relampejam pelo ar em grandes arcos; às vezes, o alabardeiro tem de dar um salto para o alto a fim de ter espaço suficiente para aplicar um corte de baixo para cima. O espadachim que se lhe opõe permanece a distância e procura aproximar-se do adversário de repente, aproveitando os momentos em que ele gira a alabarda. Todos os movimentos são coreografados.

Os katás intermediários da arte da espada são muito complexos, rápidos e curtos. Os movimentos são tão precisos que às vezes a palma da mão esquerda é utilizada para apoiar e direcionar a lãmina da espada. Contragolpes sucedem-se rapidamente a partir de todos os ãngulos possíveis e imagináveis.

Várias formas de shuriken. As estrelas da morte usadas pelos ninjas.

Entre os ensinamentos da Katori Shinto Ryu há o nin-jutsu, as artes dos ninjas (espiões e assassinos do Japão feudal) ou artes da espionagem. Nestas fotografias, um dos membros mais antigos da Ryu demonstra o lançamento dos shuriken, ou dardos de ferro. Esta parte dos ensinamentos da escola é secreta.

O shuriken é feito para causar a morte silenciosamente, e o nin-jutsu é a arte do assassinato silencioso. O homem que aparece nestas fotografias autênticas – as primeiras jamais publicadas – pratica de quatrocentos a quinhentos lançamentos por dia e é capaz de cravar seis dardos num círculo de menos de cinco centímetros de diãmetro a cinco metros de distãncia.

Quando se prepara para lançar, acima, apóia o peso sobre a perna de trás e usa o braço e a mão que estão à frente para mirar. No ato do lançamento, abaixo, o peso é transferido para a perna da frente, de modo que o movimento do braço que lança possa seguir até o fim com suavidade.

Foto de um antigo samurai.


Uma das grandes diferenças entre a arte essencialmente marcial da escola de Otake Sensei e todas as outras artes e caminhos marciais é que, para um espadachim-guerreiro, qualquer golpe aplicado corretamente acarreta a morte do adversário, e o menor erro de discernimento implica a morte, geralmente instantânea, do próprio espadachim. Um corte na virilha causa a morte em vinte segundos; um corte nas axilas mata mais rápido ainda, e um corte no lado do pescoço rompe a veia jugular e mata em três ou quatro segundos. A katana, a espada japonesa tradicional de combate, é afiada como uma navalha. Por isso, não há nenhum outro sistema de combate em que cada movimento seja tão vital- ou tão mortífero – quanto no ken-jutsu, a arte do espadachim.

Para lutar-se corretamente segundo o estilo dessa tradição, a espada é usada de muitas maneiras diferentes contra um número limitado de alvos. Esses alvos são determinados pelos pontos vulneráveis da armadura japonesa. Infligemse cortes no rosto, na parte de baixo dos pulsos, na parte de dentro dos braços (do bíceps), nos lados do pescoço, nos lados e na frente do abdômen na altura da cintura e na parte de dentro das pernas. A alabarda pode atingir também as panturrilhas, que são para a espada um alvo muito baixo. Em todos esses lugares há espaços entre as partes da armadura; além disso, em todos eles passam as principais artérias e veias do sistema circulatório do corpo.


É interessante notar que esses alvos lógicos para um espadachim-guerreiro são, em sua maioria, simplesmente ignorados na forma esportiva de esgrima chamada kendô. No kendô, os alvos são o topo da cabeça, a garganta, os ombros, o centro e os lados do peito.

Existe a crença firme de que os katás são fruto de uma inspiração divina. O Mestre Fundador recebeu-os do céu numa visão e depois registrou-os para que fossem transmitidos perpetuamente aos seus sucessores. Para que, pois, estudar o que é terreno quando se tem nas mãos o que é celeste?

Em segundo lugar, a divindade e a perfeição são coisas correlatas: os movimentos dos katás abarcam quase todas as ações imagináveis que podem ser feitas com uma espada, e é quase certo que as que não constam dos katás simplesmente não teriam valor de combate.

Em terceiro lugar, Otake Sensei acha que o embate de estilo livre pode gerar maus hábitos nos alunos. Os praticantes começam a “segurar” os golpes, ou seja, a parar a espada antes que seus movimentos atinjam a plenitude da força e do poder de penetração. Além disso, no torneio, um fator de competição começa a substituir a cooperação, e a responsabilidade e o perigo de se ter nas mãos uma arma de verdade são substituídos pela atitude mental do esportista que maneja uma arma de brinquedo.

Por fim, Otake Sensei nos deixou claro que o verdadeiro valor dos katás não está somente no fato de eles refinarem a habilidade marcial do praticante – aguçando as suas reações e melhorando o seu equilíbrio, a sua capacidade de julgar o momento correto de atacar, a sua velocidade e a sua precisão -, mas essencialmente no fato de instilarem no aluno o autocontrole e a disciplina. Os Katás, ao mesmo tempo que ensinam as pessoas a matar, ensinam também que  não convem usar a violência.

O Iai – Jutsu

A prática do combate com armas de madeira é apenas uma das partes do treinamento. A outra  parte, do iai-jutsu, é a clássica preatica de uma pessoa com uma espada de verdade.

No Japão, muitos homens praticam o iai-jutsu e o iai-dô; para a maioria, porém, essas artes são exercícios físicos ou aspectos da prática do Budismo Zen. Quando Mestre Otake desembainha a sua espada, toda a finalidade desse gesto se faz perceber. Ele imagina à sua frente um oponente real; nunca perde de vista a finalidade devastadora de sua espada.

Armadura samurai "Yoroi"

O iai-jutsu consiste, em boa parte, na busca do golpe de espada único e perfeito. Trata-se da luta depurada e reduzida a um único e crucial momento, como no famoso desafio do filme Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, que termina em morte. Levanta-se de fato a questão de o que aconteceria caso tivesse de haver um segundo golpe. Na Katori Shinto Ryu, os alunos aprendem uma sucessão de golpes, o que se aproxima muito de uma situação de conflito real.

Em muitos katás do iai-jutsu, o espadachim parte da posição agachada. Esses katás são concebidos como reações a um ataque noturno. O executante permanece agachado, para não ser visto pelo seu agressor e dá um salto no último instante, desferindo simultaneamente um ou mais golpes. Os katás cobrem sistematicamente ataques vindos da frente, dos lados e pelas costas, bem como múltiplos ataques vindos de múltiplas direções. A essência da arte é a velocidade coruscante e a precisão absoluta, e o objetivo é o de derrubar um agressor com o menor número possível de golpes. Presta-se grande atenção à correta colocação da espada no cinto antes do início do movimento e à sua rápida e eficiente recolocação na bainha depois do embate.

Tashemiguiri - Movimento de corte em espiral.

Na mente da maioria dos japoneses, o iai-jutsu e o iai-dô são associados ao Budismo Zen; não, porém, para os adeptos da Katori Shinto Ryu. Eles aprendem um sistema de encantamentos budistas que podem ser usados no campo de batalha. O guerreiro que estudou o Budismo esotérico executa com suas mãos uma série de gestos mágicos, como explica Mestre Otake:

Dentro do currículo do heiho (‘o método do soldado’), ou seja, nas artes da guerra, encontramos algo chamado kuji no in, ou ‘a inscrição das nove letras ou nove sinais’. Essa prática, sem dúvida alguma, foi uma das contribuições dadas pelo Budismo místico às artes da estratégia. É uma das práticas do Budismo Mikkyo, que trata de práticas místicas, encantamentos e invocações.

Treinamento com bokens, espadas de madeira.

O Kuji no in  “A escola da palavra verdadeira”

O kuji no in é um prática exotérica da escola Mikkyo de budismo Shingon. Há nove sinais, e cada um deles tem um nome: rin; pyo; to; sho; kai; jin; retsu; zai; zen. Eles compõem o kuji no in. Depois de dominar esses nove e unificar o corpo e a mente por meio da prática, você pode usar o que se chama de décima letra. Para tanto, você faz a espada-de-mão, inscrevendo nove linhas na palma da mão. Cada uma das linhas representa uma das nove letras, e, juntas, elas formam uma grelha. Quando pomos mais um caractere no centro da grelha, isso se chama ‘o método do décimo caractere’ ou ‘da décima letra.

Insere-se no centro da grelha uma décima letra, escolhida dentre um conjunto determinado de caracteres chineses. A décima letra é escolhida de acordo com as suas necessidades. Se você está atacando, ou está sendo atacado, ou não quer que o seu navio afunde no mar, ou quer curar uma doença, tem de inserir o caractere apropriado no centro da grelha.

Imagine, por exemplo, que você fosse fazer uma viagem de navio. Nesse caso, desenharia a grelha das nove letras e, no centro, inscreveria o caractere que significa ‘dragão’. Então, mesmo que o seu navio afundasse, você não se afogaria. Cortaria as letras rapidamente e faria uma invocação específica. A invocação o deixaria confiante de que, mesmo que o seu navio fosse a pique, você seria salvo.

Esse método da décima letra é necessário quando você se determina a fazer alguma coisa e precisa ter uma atitude firme e inabalável, ou seja, precisa ter fé na sua capacidade de conseguir. Nesse caso, você usa a inscrição das nove letras ou o caminho da décima letra para instilar essa atitude no seu espírito e na sua mente.

Ao determinar a estratégia marcial, é essencial que você tenha uma confiança inabalável na sua própria capacidade. Deve ter uma convicção capaz de romper qualquer barreira, transpor qualquer obstáculo. Para ilustrar esse ponto, temos a antiga história de um casal de namorados. A jovem foi atacada por um tigre assassino e ficou gravemente ferida. Por mais que o namorado tentasse curá-la, nada havia que ele pudesse fazer, e ela morreu. Fora morta pelo tigre; e, das profundezas do seu próprio sofrimento, o namorado determinou-se a vingar-se do tigre por ter matado a sua amada.

Tomou seu arco e suas flechas e, todos os dias, entrava nas matas em busca do tigre. Por fim, certo dia, viu a distância a forma de um tigre adormecido e percebeu de imediato que aquele era o tigre que matara sua namorada. Estirou o arco, mirou cuidadosamente e desferiu a flechada. A flecha perfurou profundamente o corpo do tigre e o jovem correu adiante para confirmar que ele estava morto. Quando chegou lá, porém, percebeu que sua flecha havia perfurado uma pedra listrada semelhante à forma de um tigre adormecido.

Depois disso, a reputaçâo do jovem no povoado em que vivia cresceu, pois todos começaram a comentar sobre o quanto ele era forte, capaz de perfurar uma pedra com uma flechada. Os outros queriam ver se ele seria capaz de fazê-lo de novo. Mas, por mais que ele tentasse, as flechas batiam na pedra e caíam. Percebeu ele que isso acontecia porque estava tentando sOmente cravar uma flecha numa pedra. Antes, quando pensara que a pedra era o tigre, a determinação de vingar sua amada possibilitara que ele perfurasse até mesmo uma pedra com sua flecha. Essa história deu origem ao ditado japonês: ‘Uma vontade forte pode furar uma pedra:’

O homem de estratégia tem de ter uma tal vontade forte, uma tal convicção inabalável, pois é nessa espécie de crença ou fé que uma força incrivelmenc te poderosa se manifesta. Sem esse tipo de convicção, até mesmo os mais nobres esforços se perdem.

Isso vale, evidentemente, não só para a estratégia marcial, mas para todos os aspectos da vida. A história do Japão nos fornece um outro exemplo. Na época das guerras entre os clãs Taira e Minamoto, no período da história do Japão em que a casta guerreira estava tomando forma, ocorreu, em 1184, a Batalha de Yashima. Nela, os guerreiros de Taira desafiaram os de Minamoto a tentar derrubar com uma flecha um leque que estava preso no alto do mastro de um de seus navios. Os guerreiros de Minamoto, que estavam em terra olhando para os navios, perceberam que seria extremamente difícil para qualquer homem atirar uma flecha a tão grande distância, quanto mais acertar o alvo, fixado no mastro balouçante de um navio em águas encapeladas.

Mesmo assim, um certo guerreiro chamado Nasu no Yoichi apresentouse e disse que tentaria derrubar o leque do alto do mastro. Incontinenti, entrou com seu cavalo nas águas rasas. Encaixando a flecha na corda do arco antes de puxá-lo, percebeu que seria muito difícil mirar o leque, que balouçava como o mar. Invocou então o nome da sua divindade tutelar, que era também a divindade tutelar do clã Minamoto: o grande bodhisattva Hachiman, em quem cria firmemente.

Fez um voto ao grande bodhisattva Hachiman, o deus da guerra, que, mesmo que morresse no dia seguinte, não se arrependeria de sua vida se fosse capaz de atingir o leque com sua flecha. Pediu então a Hachiman que acalmasse as ondas, de modo que o alvo não se mexesse tanto. Milagrosamente, naquele mesmo instante, o mar se acalmou; o guerreiro estirou o arco, desferiu a flechada e atingiu o alvo. Os guerreiros de ambos os exércitos aclamaram sua grande habilidade.

“Provavelmente, esse milagre é um símbolo. O acalmar das ondas simboliza a tranqüilização do seu próprio espírito, que ocorreu quando ele invocou sua divindade. Provavelmente, foi por ter acalmado seu próprio espírito que ele foi capaz de atingir o leque no ponto exato em que as hastes se encontram. É isso que quero dizer quando falo de fé ou convicção. Os guerreiros tinham de haver-se com situações especialmente difíceis.”

Os Usos dos Nove Sinais

Otake Sensei já explicou que o fundador da Katori Shinto Ryu, Choisai Sensei, incorporou o uso de técnicas esotéricas da tradição budista para aumentar a boa fortuna dos guerreiros. Para tanto, o guerreiro precisa executar a série de gestos de mão chamados kuji no in e selar o encantamento com um décimo movimento secreto. Esse sistema pode ser usado de várias maneiras benéficas por um praticante instruído.

Em toda parte, é natural que os seres humanos, quando começam a ter muitos problemas, procurem algo em que se apoiar, algo que aumente a sua capacidade de lidar com a situação. Para os guerreiros do Japão, esse algo foi proporcionado pelas doutrinas da escola budista dos encantamentos e domisticismo. Digo isso muito embora se pense comumente, hoje em dia, que as artes da guerra e da espada são em tudo idênticas às artes do Budismo meditativo, e muita gente diga que a espada e o Zen são a mesma coisa.

Porém, embora a essência do Zen seja a mesma essência de todo o Budismo, o Zen é uma forma que exige um período de treinamento extremamente longo. Esse treinamento consiste em ficar sentado de frente para uma parede branca. As únicas instruções do praticante são a de não pensar em nada, e, mais ainda, de não pensar em não pensar em nada. O domínio dessa prática leva décadas. É necessário um tempo enorme para penetrar no domínio do não-ego.

“A escola Mikkyo, por sua vez, oferece uma prática ou uma forma de atividade concreta por meio da qual a pessoa pode entrar nesse mesmo estado de auto-apagamento. Essa atividade é a prática da formação das ‘Nove Letras’ ou sinais de mão. O uso de uma técnica concreta como essa é muito mais rápido.”

Essas técnicas mágicas também podem ser usadas para curar os doentes. O paciente que procura Mestre Otake senta-se em silêncio enquanto o Mestre escreve encantamento”s sobre uma folha de papel. Ele desenha uma silhueta simples do corpo humano e, no lugar do desenho correspondente à parte do corpo que precisa de tratamento, as nove linhas entrecruzadas que representam o kuji no in. Acrescenta então o décimo sinal. O papel do desenho é dobrado em forma de leque e encaixado num gravetinho que serve de cabo.

Então, Mestre Otake coloca o leque sobre o altar da família e, de pé diante do altar, faz os nove sinais de mão. Pega o leque de papel e o passa sobre o paciente, depositando-o depois sobre o local da doença. No fim, o paciente tem de levar o leque até as margens de um rio, cravar na terra três varinhas de incenso acesas, atirar o leque na água e ir embora sem olhar para trás.

Esses ensinamentos do Fundador da Katori Shinto Ryu são úteis para todos os aspectos da vida:

Os principais guerreiros ocupavam-se do estudo de muitas coisas que envolviam práticas mágicas e as artes das fórmulas mágicas e encantamentos. Essa prática misteriosa inclui a arte da cura de doenças; métodos para entrar na fortificação ou castelo de um inimigo; e métodos de proteger o próprio castelo contra sítios ou ataques. Inclui, na verdade, um número incalculável de artes.

Essas artes são preservadas na Katori Shinto Ryu, onde, por exemplo, temos métodos para a remoção de objetos alojados no olho e meios para a cura de doenças. Essas práticas de cura são chamadas, no Japão, de te-ate. O nome implica o toque das mãos ou a imposição de mãos.

A mão pode ser usada para gerar energia. Nos tempos antigos, provavelmente tinha ainda mais poder do que tem hoje em dia. Tomemos o exemplo de uma criança que está com dor de estômago e se queixa disso para sua mãe. A mãe corre com o filho para o consultório médico, mas encontra-o fechado. Vai para vários lugares à procura de alguém que cuide da criança, mas não acha ninguém. Por compaixão, então, ela procura confortar o filho, tocando-o com suas próprias mãos.

De modo quase milagroso, a criança sente um grande alívio, ou mesmo sente a dor desaparecer por completo. Nesse caso, foi o amor da mãe que passou por suas mãos, confortou a criança e provocou o alívio. Às vezes, essa energia pode ser muito mais eficaz do que a de um estranho que por acaso é médico e diz: ‘Onde está doendo?’ ou ‘O que você está sentindo?’

É por isso que certas pessoas, quando sofrem, por exemplo, de uma inchação ou uma dor em algum lugar, podem aliviar-se ou mesmo curar-se completamente por meio do poder da lei budista. Elas fazem uso do seu próprio poder psicológico, ou seja, do poder de Deus. A eficácia desse poder depende da convicção ou da fé da pessoa.

Nestes últimos tempos, temos ouvido falar muito da psicocinese e dos poderes psicológicos ou ocultos. Para ativar esse tipo de poder, qualquer que seja o nome que se lhe dê, a pessoa tem de ter uma fé ou uma crença implícita na existência do poder e uma convicção da sua eficácia. A pessoa plenamente convicta de que esse método poderá curá-la será curada milagrosamente. Já vi isso acontecer inúmeras vezes. É por isso que penso que essas coisas não devem ser chamadas de ocultas, nem mesmo de milagrosas.

Aprendi por experiência que essas coisas misteriosas acontecem de fato.

Essa fé, essa convicção, pode operar milagres. Não estou me referindo aos casos de coincidência, nos quais uma pessoa pensa em algo e aquilo que ela pensou acontece. A convicção pode realmente produzir e manifestar milagres. É uma questão de fé. Hoje em dia, muitos acreditam em Deus ou no Buda. Não obstante, qualquer que seja a opinião dessas pessoas, esses eventos milagrosos realmente acontecem.”

No que diz respeito aos armamentos, eles são instrumentos de mau agouro. Não devem ser usados pelo homem do Tao. Isso porque as ações das armas terão a sua retribuição; espinheiros e abrolhos crescem nos locais onde exércitos estiveram aquartelados. As grandes guerras seguem-se inevitavelmente anos de escassez. O homem do Tao, quando está em casa, faz da esquerda o lugar de honra; e, quando usa armas, faz da direita o lugar de honra. Só usa as armas quando não pode evitá-lo e não se agrada de suas conquistas. Caso se agradasse delas, é porque teria gosto pelo morticínio dos homens. Aquele que se agrada do morticínio dos homens não pode ter a sua vontade imposta ao mundo.

Tao Te Ching, de Lao Tzu

Matéria extraída do livro  “O caminho do guerreiro de Howard Reid e Michael Groucher” Editora Cultrix

Armas do Japão

Posted in Armas, Galeria de fotografias, Samurai with tags , , , , , , , , , , , on 02/06/2010 by artesmarciaispaulonetto

Galeria de fotografias do centenário da migração japonesa tiradas no Centro cultural banco do Brasil.

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A História dos Samurais – Parte 1

Posted in Samurai with tags , , , on 02/06/2010 by artesmarciaispaulonetto

As espadas dos Samurais

No outono de 1274, Takezaki Suenaga cavalgava em alta velocidade para a Baía de Hakata, situada na costa noroeste da Ilha de Kyushu. Corriam boatos de que uma grande armada invasora vinda da China e da Coreia se dirigia para a costa, com a intenção de obrigar os japoneses a submeter-se ao governo de Kublai Khan. Desde 1269, por meio de uma série de ameaças veladas, o imperador mongol do Norte da China havia tentado instituir no Japão o tipo de hegemonia entre senhor e vassalos que havia imposto na Coreia e em outras nações adjacentes.

Samurai

Sua primeira mensagem para o imperador japonês foi um insulto, ao tachá-lo de «governante de um país pequeno». Ainda que boa parte da cultura e da tecnologia japonesas procedesse da China, o Japão havia se negado durante séculos a submeter-se à relação tributária que lhe exigia a China imperial. Após seis anos do que ele considerou incitações sutis, era evidente que Kublai havia decidido que o Japão demandava uma persuasão mais firme. No início de novembro de 1274, chegaram à província de Suenaga, situada ao sul de Kyushu, notícias de que duas pequenas ilhas japonesas ao noroeste de Kyushu, Tsushima e Iki, haviam sucumbido diante da força invasora combinada de chineses e mongóis. DSC09795

Os japoneses foram largamente superados em número. Conforme os relatórios tradicionais, que quando falam do  número de efetivos militares ou de vítimas de uma guerra são sempre um tanto duvidosos, o exército sino-mongol invasor, que havia zarpado do sul da Coreia em quase 800 barcos construídos e tripulados por coreanos, tinha 15.000 homens. Os defensores de Tsushima e Iki eram somente algumas centenas. Lutando heroicamente até o último homem, os guerreiros japoneses se horrorizaram ao ver os invasores matarem indiscriminadamente mulheres, crianças e outros não combatentes. Mas para os mongóis, aterrorizar a população civil não era nada além de outra arma bélica. Quando souberam que estes invasores bárbaros se dirigiam para a Baía de Hakata, em Kyushu, Suenaga e outros guerreiros se prepararam para iniciar a batalha. Os mais aristocráticos pintaram os dentes de preto, colocaram pó de arroz e perfume e prenderam o cabelo em um coque elaborado. Os guerreiros japoneses que perdiam uma batalha costumavam ser decapitados, e este cuidado com a aparência garantia que, mesmo morto, o guerreiro conservasse sua dignidade. Depois, os guerreiros reuniram suas armas: um arco, uma adaga e uma ou duas espadas.

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Também acrescentaram ao equipamento uma pele de cervo, que usavam para sentar e conservar a posição durante a prática do tiro com arco. Na guerra, a pele servia de assento para o guerreiro que estava a ponto de ser executado. Esses eram os preparativos tradicionais dos samurais, como eram conhecidos os guerreiros profissionais que podiam de- monstrar que descendiam da aristocracia dos clãs . mais antigos. Este nome, que significa «os que servem», havia sido aplicado antes aos criados pessoais e os samurais ainda exerciam a função de fiéis serventes.

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O guerreiro devia lealdade primeiro ao seu senhor imediato, e tinha a obrigação de morrer por ele se fosse necessáho; devia até suicidar-se para evitar que o capturassem ou para expiar um ato indigno. Em troca do serviço leal aos latifundiários que os contratavam para seus exércitos particulares, os guerreiros recebiam terras ou então o direito de ser administradores de propriedades pequenas. Os samurais seguiam um código de comportamento, que mais tarde seria chama- do de bushido ou «o caminho do guerreiro», que exigia resistência fisica, devoção absoluta ao de  ver e coragem em qualquer circunstância. Certamente, este código representava um ideal. Entre os samurais também acontecia a traição e a covardia, e alguns sentiam apreensão diante da ideia de matar como forma de vida. Não era incomum que um guerreiro de elite se retirasse em um mosteiro para orar pelas almas de quem havia matado. Assim como outros, certamente Suenaga havia se formado com um mestre de tiro com arco e esgrima, e suportou penalidades como jejuns prolongados e caminhadas pela neve com os pés descalços. Talvez também-tenha sido devoto do zen, um tipo de budismo importado da China. Os governantes militares do Japão haviam aceitado o zen em grande parte pela ênfase que este punha sobre a disciplina e sobre a mente como centro de tudo.EdoArmor-3 Antes de partir para a Baía de Hakata, sem dúvida Suenaga havia rezado na capela xintoísta ou no templo budista local, implorando às diversas divindades que lhe permitissem se destacar na batalha iminente. N o dia 18 de novembro, os mongóis ancoraram na Baía de Hakata.Quando, no dia seguinte, começaram a desembarcar suas tropas, encontraram alguns milhares de guerreiros japoneses entre os quais estavam Suenaga e cinco seguidores seus. Os defensores atacaram os invasores em diversos pontos da baía. Em sua posição inicial, o pequeno grupo de Suenaga viu-se apequenado por outros bandos de japoneses, de até cem efetivos, que haviam aportado outros guerreiros de mais alta categoria com grandes propriedades. Suenaga decidiu ir para a cidade portuária de Hakata, que também estava sendo atacada, com a esperança de alcançar maior glória nela. Isto era típico dos guerreiros samurais, que gostavam de tomar a iniciativa na batalha para ganhar recompensas especiais. Mais uma vez, quando chegou à cidade, já haviam muitos guerreiros japoneses posicionados e ele e seus seguidores foram em busca de uma terceira posição. Ali, ao fim, uniram suas forças às de um poderoso guerreiro de sua província que estava repelindo com força os invasores. Os samurais lançaram seu ataque seguindo o modo ancestral: foi disparada uma flecha com uma ponta zunidora e sibilante para marcar o começo da batalha. Então, um por um, os samurais cavalgaram em busca de inimigos individuais que tivessem uma categoria similar à sua, para estabelecer combates de homem a homem. Tradicionalmen- te, um guerreiro encontrava outro de sua categoria proclamando em voz alta a linhagem de sua família e seus títulos, concluindo o anúncio, talvez, com um toque de falsa modéstia, o que dava importância à sua habilidade. Quando encontrava um adversário digno, costumava usar a espada para tentar deixá-lo sem sentido (dar um golpe mortal em cima de um cavalo era dificil) e desmontá-lo. Então desmontava, matava-o com a adaga que levava no pulso e, por último, decapitava-o. Após a batalha, as cabeças eram contadas e depois levadas para o senhor feudal como troféus e provas do massacre. No entanto, Suenaga e os outros samurais descobri- ram consternados que não era assim que os mongóis lutavam. O inimigo havia utilizado táticas grupais aperfeiçoadas durante os cinquenta anos anteriores nas amplas conquistas mongóis por toda a Ásia. Grupos de arqueiros e lanceiros tremendamente disciplinados executavam manobras precisas seguindo as ordens ao bater dos tambores. O primeiro samurai que se adiantou para desafiar o inimigo em combate parecido teve de se esquivar de uma nu- vem de flechas envenenadas. Os samurais estavamno auge de sua capacidade de tiro. Os arcos mongóis, curtos e poderosos, eram eficazes a uma distância de até 240 metros, duplicando o alcance dos arcos japoneses. Além disso, pela primeira vez os japoneses enfrentavam armas de fogo, que eram projéteis lançados com catapulta e que explodiam com um estrépito ensurdecedor, assustando os cavalos dos samurais e colocando fogo em cavaleiros e montarias por igual.7

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Um samurai na floresta

Posted in Galeria de fotografias, Samurai with tags , , , , on 02/06/2010 by artesmarciaispaulonetto

Um samurai na floresta

Este é um trabalho meu com Bonsai e Penjing. Se voçê gosta desta arte veja o meu blog sobre bonsai, penjing e cultura oriental: www.aidobonsai.wordpress.com

Fotos de um Samurai  feito em  resina com 8cm de altura. As fotos foram tiradas em alguns dos meus Penjings (paisagens). Gosto de brincar com a proporção do Penjing e fotografar pequenas figuras orientais em suas composições. A fotografia ajuda a olhar um detalhe no tronco, o galho retorcido, o detalhe da pequena vegetação na base da árvore a proporção de uma pequena pedra.

Pthecolobium tortum de 45 cm de altura. Vaso em concreto celular. Com o tempo o concreto permite o crescimento de pequenas plantas e musgo de forma natural.
Floresta de Aspargus ( 17 troncos ). Tori de madeira com 20cm de altura
Pthecolobium tortum de 45 cm de altura.
Pthecolobium tortum de 45 cm de altura.
Pthecolobium tortum de 45 cm de altura.
O caminho do guerreiro

AIKIDO

Posted in Akido with tags , , , , , , , , , , , on 03/01/2009 by artesmarciaispaulonetto

Arte marcial de origem Japonesa criada pelo “O Sensei, Morihei Ueshiba” que nasceu em Tanabe no Japão no ano de 1883.  Morihei Ueshiba iniciou seus estudos nas artes marciais praticando Ju-Jutsu, Kenjutsu, Yagyu-Jutsu da escola tradicional Gotô.

O Sensei sempre mostrou paixão pelos estudos que envolviam armas brancas e de madeira, estudou estilos de lutas que incluiam a Katana, Tanto, a baioneta  e as lanças Yari. Morihei Ueshiba também se especializaou no uso do Boken  (espada de madeira) e o Jô (bastão de madeira).

O SENSEI MORIHEI UESHIBA

Morihei Ueshiba

No ano de 1915 quando ja era um dos mestres mais reconhecidos do Japão, Morihei Ueshiba conheceu o mestre Sokaku Takeda com quem aprendeu as técnicas da arte marcial Daito Ryu  Ju- Jutsu. O estudo do Daito Ryu deu o conhecimento final para que ele desenvolvesse a sua arte marcial,  que inicialmente chamou de daito Ryu Aiki Ju Jutsu (1920) , Aiki Bujutsu (1922), Aiki Budô (1925) e finalmente Aikido em 1942.

Atual Doshu Moriteru Ueshiba:Moriteru Ueshiba

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